Por Peter Amsterdam
Abril 29, 2026
A maioria de nós passará uma parte significativa da vida trabalhando -- geralmente no “local de trabalho”, embora hoje em dia esse possa ser online. Com certeza, o trabalho, quer seja secular ou missionário cristão, ocupará uma grande parcela do nosso tempo durante quase toda a vida adulta. Em muitos casos, implica trabalhar com pessoas que têm crenças e visão de mundo diversas. Então, como o cristão pode incluir o discipulado na vida profissional?
Comecemos analisando o que a Bíblia diz sobre o trabalho.
As Escrituras geralmente falam do trabalho de modo positivo. Antes do pecado entrar no mundo, Deus orientou Adão e Eva a trabalharem, dizendo: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” (Gênesis 1:28). “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo” (Gênesis 2:15).
O trabalho em si não veio como consequência da queda do ser humano, mas parte de tudo que “havia ficado muito bom” na criação de Deus (Gênesis 1:31). No livro de Gênesis, a criação do mundo é citada como a obra de Deus. “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou” (Gênesis 2:2). O quarto mandamento faz referência tanto a não trabalhar no sétimo dia, o sábado, quanto a trabalhar nos outros dias da semana. “Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus” (Êxodo 20:9–10).
Desde o início da Sua criação, vemos que trabalhar estava dentro do plano de Deus para a prosperidade humana. Timothy Keller expressa esse princípio:
O livro de Gênesis revela uma verdade surpreendente: trabalhar fazia parte da vida no paraíso! Um estudioso da Bíblia resumiu: “Vemos claramente que o bom plano de Deus sempre incluiu o ser humano trabalhar, ou, mais especificamente, o ciclo constante de trabalho e descanso”. ... Trabalhar faz parte do projeto perfeito de Deus para a vida, porque fomos feitos à Sua imagem, e parte da Sua glória e felicidade é que Ele trabalha, assim como o Filho de Deus, que disse: “Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando” (João 5:17).
Embora os doze apóstolos tenham abandonado seu trabalho como pescadores depois que conheceram Jesus (Lucas 5:11), a Bíblia mostra que eles voltaram a exercer seu ofício em algumas ocasiões. Vemos Paulo fazendo tendas ao mesmo tempo que dava continuidade ao seu trabalho de evangelizar. Os discípulos, ao conheceram Jesus, não abandonaram sua atividade “secular” nem passaram a agir com menos fervor e paixão. Pelo contrário, o que mudou para sempre foi seu relacionamento com o seu trabalho. Jesus lhes deu a visão panorâmica; na verdade, Ele era o panorama geral. Chamou-os deliberadamente para um tipo de pesca inédita: “Não tenha medo; de agora em diante você será pescador de homens” (Lucas 5:10). Em outras palavras, Ele veio para redimir e curar o mundo, e convidou Seus discípulos a participarem deste projeto. Eles passaram a ter uma identidade e um significado desvinculados do seu emprego ou condição financeira. Assim, podiam se afastar (se necessário), ou retomar suas atividades, ou abordá-las de uma maneira diferente.
O trabalho é uma das maneiras de sermos úteis aos outros, em vez de vivermos apenas para nós mesmos. Além disso, também colabora para descobrirmos quem somos, porque através do trabalho entendemos elementos importantes da nossa identidade, como nossas habilidades e dons específicos. Como extensão da obra de criação de Deus, o trabalho do cristão é direcionado para o próprio Deus, e devemos perguntar como pode ser realizado de maneira distinta e para a Sua glória. Como extensão da obra providencial de Deus, nosso trabalho é direcionado para o nosso próximo, e devemos perguntar como pode ser feito com excelência e para o bem dele.1
No Novo Testamento, encontramos referências positivas ao trabalho. Por exemplo, lemos que o apóstolo Paulo trabalhava como fabricante de tendas durante suas viagens missionárias (Atos 18:2–3). Em outra passagem, Paulo fez referência ao seu exemplo de realizar “trabalho árduo” para suprir suas próprias necessidades e as de seus companheiros de viagem (Atos 20:33–35). Em Efésios, ele escreveu sobre a importância do trabalho ao dizer: “Antes, trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade” (Efésios 4:28).
Em sua primeira epístola à igreja de Tessalônica, Paulo enfatizou a importância de os crentes se sustentarem por meio do trabalho. “Esforcem-se para ter uma vida tranquila, cuidar dos seus próprios negócios e trabalhar com as próprias mãos, como nós os instruímos; a fim de que andem decentemente aos olhos dos que são de fora e não dependam de ninguém” (1 Tessalonicenses 4:11–12). Na segunda epístola, Paulo exortou a igreja a imitar seu exemplo de trabalho e disse aos crentes “nós lhes ordenamos isso” que “trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão” (2 Tessalonicenses 3:7–12).
Claro, nem todo trabalho tem compensação financeira. Um dos trabalhos mais importantes do mundo é criar os filhos e cuidar da casa, embora não seja remunerado. Outro trabalho muito importante é o voluntariado, realizado em igrejas ou outras organizações, nas quais as pessoas doam generosamente seu tempo em prol dos outros. O trabalho missionário é uma atividade extremamente importante que muitas vezes é feita de forma voluntária e/ou depende de doações e apoio de outros. Muitos cristãos dedicados são chamados por Deus a dedicar suas vidas à Sua obra para disseminar o evangelho em seu campo missionário ou trabalhando em projetos de auxílio humanitário sem receber um salário.
Seja qual for o trabalho para o qual o Senhor nos guiar —remunerado ou não — o cristão deve ser um bom representante de Jesus e da sua fé. Seja qual for o trabalho que desenvolvemos no dia a dia, devemos fazê-lo para Deus e para a Sua glória. “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31).
Por que trabalhar?
Quando consideramos o tempo médio de trabalho de uma pessoa, surge a pergunta: Por que Deus instituiu o trabalho?
Como criaturas feitas à imagem de Deus, temos a capacidade de emular a Sua criatividade. Estamos criando algo quando, por exemplo, assamos um pão, construímos um quartinho de despejo ou desenvolvemos um programa de computador. Esse tipo de trabalho reflete os atributos de Deus de outras maneiras também, como, por exemplo, sabedoria, força, paciência e conhecimento.
Embora a glória de Deus se manifeste na natureza através da fauna e da flora, a criatividade do ser humano manifesta a Sua glória de maneiras bastante diferentes. Apenas o ser humano tem poder para criar, inventar e inovar. A capacidade humana de realizar um trabalho criativo destaca o fato de termos sido criados por Deus à Sua imagem. Como humanos, podemos criar valor. Quando realizamos algo produtivo, agregamos valor às coisas que beneficiam a humanidade.
Outro aspecto importante do trabalho é que nos dá um senso de valor e autorespeito, além de ser um meio para darmos testemunho aos não crentes (1 Tessalonicenses 4:11–12). Por isso é tão difícil as pessoas aceitarem quando são demitidas e ficam desempregadas um tempo, ou incapacitadas devido a doença ou lesão. Quando a pessoa não tem um trabalho produtivo, a tendência é sentir-se frustrada justamente pela incapacidade de realizar o que Deus planejou para os seres humanos, que é produzir e, assim, cuidar do próprio sustento enquanto isso for possível.
A maioria dos cristãos não se engaja em tempo integral no trabalho missionário das igrejas. Normalmente têm seu emprego secular, onde trabalham com pessoas que não partilham da sua fé. Isso também aconteceu na época da igreja primitiva, quando os cristãos eram uma minoria que trabalhava em um mundo predominantemente secular. No entanto, é evidente que testemunhavam no local de trabalho e contribuíram para a rápida propagação do cristianismo. Na verdade, o historiador religioso Kenneth Latourette propôs que: “Os principais agentes na expansão do cristianismo parecem ... ter sido ... homens e mulheres que ganhavam a vida de alguma forma puramente secular e davam testemunho da sua fé para aqueles que encontravam nesse ambiente”.2
O apóstolo Paulo considerava que Deus é quem escolhia onde os crentes deveriam exercer suas atividades profissionais. “Cada um continue vivendo na condição que o Senhor lhe designou e de acordo com o chamado de Deus” (1 Coríntios 7:17). Qualquer que seja o emprego de um crente (contanto que não seja antiético ou imoral), “Deus o chamou” -- pelo menos por um período. Isso pode mudar mais tarde, mas enquanto foi chamado para uma determinada função, esse é o seu trabalho.
Não importa o nosso local de trabalho, como cristãos somos chamados a ser honestos, fidedignos, íntegros e testemunhas fiéis sempre que possível. O crente é chamado para ser um testemunho do cristianismo, um exemplo de Jesus em quaisquer circunstâncias, “para que em tudo adornem a doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tito 2:10). Nós nem sempre temos liberdade para compartilhar a nossa fé no local de trabalho, mas podemos elaborar maneiras de ser um exemplo vivo da nossa fé, como destacam os seguintes trechos de diferentes artigos.
Seu campo missionário
Deus nunca pretendeu que o culto de domingo estivesse alienado do trabalho da segunda-feira. É no nosso local de trabalho, no nosso chamado, nas nossas responsabilidades cotidianas que vivemos o discipulado e também fazemos discípulos. Colossenses 3:17 nos lembra: “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus”.
Cada planilha. Cada e-mail. Cada reunião. Cada conserto. Cada entrega. Cada refeição preparada… devem ser feitos pela graça de Deus e em Seu nome. Muitas vezes pensamos que o trabalho sagrado acontece dentro das igrejas ou nos ministérios. Mas a santificação do trabalho acontece em toda vocação quando é realizado para a glória de Deus e para o bem dos outros...
Seu trabalho não é acidental ou “secular”. É profundamente santo quando consagrado a Deus. O mundo precisa de pessoas como você, arraigadas em Cristo, fiéis e felizes onde quer que Deus as coloque. Quando você serve aos outros pela pura alegria de ser um instrumento de Deus para o bem, está participando de um coro universal que entoa a bondade de Deus em tudo o que faz.
Use o seu local de trabalho como campo de missão. Transforme suas tarefas diárias em atos de adoração. Deixe que a sua atividade profissional se torne um espaço que reflita a bondade de Deus por meio da sua integridade, humildade e esperança. Quando você faz isso, o que secular é tragado pelo que é sagrado. E é assim que o reino de Deus penetra sutilmente no mundo – uma tarefa, uma conversa, uma vida de cada vez.—Dan Miller3
Evangelizar no local de trabalho
Se uma pessoa passa normalmente no mínimo oito horas por dia no serviço, cinco dias por semana, em um ano ela terá passado 2.080 horas no ambiente de trabalho e na comunidade. Mesmo que seja metade disso, ainda assim é muito tempo.
Se for feita adequadamente, a razão fundamental por que todos devemos buscar maneiras de dividir a nossa fé onde Deus nos colocar é porque o próprio Deus a quem temos como Senhor foi quem nos chamou. Não mencionarei todos os versículos que falam sobre darmos testemunho do Evangelho tanto em palavra quanto em ação (por exemplo, Atos 22:14–15; Atos 4:20; Mateus 28:19). Mas devo dizer que a evangelização, quando é feita da maneira correta e no ambiente apropriado, é de extrema importância para a expansão do reino de Deus e resulta em um número maior de convertidos.
No entanto, muitos na igreja simplesmente não sabem como ser uma boa testemunha no local de trabalho. Ou não sabem puxar conversa sobre a fé, ou como dar continuidade depois que a porta se abre. Existem no mínimo cinco segredos ((cinco fatores muito importantes)) para um evangelismo eficaz no local de trabalho:
Trabalhar com excelência. Colossenses 3:23 nos chama a trabalhar arduamente como para o Senhor. Não importa a atividade ou local de trabalho, só existe um espectador na plateia. E quando trabalhamos dessa forma, construímos uma base de testemunho para aqueles ao nosso redor.
Ser íntegro(a). Ter integridade significa ser honesto, ter firmes princípios morais e convicções e ser verdadeiro. Somos sal e luz no local de trabalho; não usamos atalhos nem entregamos trabalho mal feito. Dessa forma, imitamos Jesus, que nos deu o modelo de caráter que precisamos quando desejamos ser testemunhas eficazes do evangelho.
Buscar discernimento. A leitura do Livro dos Provérbios é um ótimo primeiro passo quando consideramos a importância da sabedoria... Devemos primeiro buscar a voz de Deus para introduzirmos a fé no local de trabalho. Precisamos ser sábios para saber o como, quando, por que e quem no testemunho. Sem isso, estaremos colocando em risco nosso emprego e possivelmente até tornando o nosso testemunho menos atraente.
Ouvir a voz de Deus. Devemos seguir as dicas e impressões que Deus nos dá e deixar o Espírito Santo guiar nossas conversas. Sem o fundamento da oração e da disciplina espiritual de ouvir a Deus e à Sua Palavra, somos apenas como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
Bola pra frente! É difícil se envolver em uma conversa mais profunda, mas se Deus nos pedir isso, devemos segui-lO e encarar a tarefa. Devemos procurar e às vezes até insistir em relacionamentos com o compromisso de percorrer o caminho mais longo e desafiador, se necessário, para ser um amigo e confidente.—Ed Stetzer. 4
O cristão é chamado a viver o discipulado em todas as esferas da sua vida, inclusive na vida profissional. Como Paulo escreveu aos Colossenses: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Colossenses 3:23–24).
Como embaixadores do Senhor, somos chamados a transmitir a mensagem de Cristo e a viver de maneiras que mostrem o amor de Deus pelas pessoas que encontramos no trabalho e onde quer que estejamos. Em todos os aspectos de nossas vidas, devemos ser “imitadores de Deus, como filhos amados” (Efésios 5:1). Devemos consagrar cada aspecto da nossa vida ao Senhor; onde quer que estejamos é um campo missionário, cheio de pessoas que precisam do Salvador ou que precisam aprender mais sobre sua fé e crescer no discipulado. Que nossas vidas sejam um exemplo do Seu amor infalível por cada pessoa que Ele coloca em nosso caminho.
Para refletir
Se Deus viesse ao mundo, em que forma Ele viria? Para os gregos antigos, ele poderia ser um rei-filósofo. Os romanos antigos procurariam um estadista justo e nobre. Mas como é que o Deus dos hebreus vem ao mundo? Como um carpinteiro.—Phillip Jensen
O cristão deve estar consciente do propósito do seu trabalho no mundo. Devemos ver nossa atividade profissional como uma maneira de servir a Deus e ao próximo. Para isso, é importante escolher e conduzir nosso trabalho dentro desse propósito. A escolha do nosso trabalho não é mais: “O que me dará mais dinheiro e mais status?” A questão agora deve ser: “Como posso usar minhas habilidades e as oportunidades que surgirem, para melhor servir a outros, com base no que sei sobre a vontade de Deus e as necessidades humanas?”—Timothy Keller
Frequentemente me perguntam como testemunhar no local de trabalho ou a familiares ou pessoas com quem dividimos moradia. Primeiro, as pessoas precisam ver que somos honestos, verdadeiros, confiáveis, que não nos envolvemos em fofocas e que encorajamos e elogiamos as realizações de nossos colegas – mesmo em um ambiente de trabalho muito competitivo. ... Se tivermos a atitude de servir com altruísmo, se formos bondosos e pacientes, essa conduta terá um impacto e o fará considerar a fé em Cristo.—Rebecca Sayers
O que a Bíblia diz
“Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!”
(Salmo 90:17).
“Pois o Senhor, o seu Deus, os abençoará em toda a sua colheita e em todo o trabalho de suas mãos, e a sua alegria será completa” (Deuteronômio 16:15).
“Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos supriram minhas necessidades e as de meus companheiros. Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber'” (Atos 20:34–35).
Uma oração para o local de trabalho
Pai celestial, eu Lhe agradeço pelo trabalho que me deu, pela oportunidade de ser um representante Seu para todos com quem interajo no local de trabalho. Ajude-me a ser sensível à Sua liderança, a estar satisfeito com Sua provisão e seguro na certeza de que Você estará ao meu lado em cada desafio que eu enfrentar hoje…
Inspire-me a me dedicar de coração a cada tarefa hoje e realizá-la para Você, não apenas para o meu chefe. Não me deixe esquecer que minha verdadeira recompensa vem de Você, que é quem realmente me deu este emprego.
Por favor, encoraje e apoie meus colegas de trabalho. Ajude-os em cada necessidade. Fortaleça as relações interpessoais deles no trabalho e em casa. Dê-me paciência e a graça para mostrar respeito e apreço por todos com quem trabalho. Que Você seja a luz da minha vida, Aquele que guia meus passos, a minha âncora nos ventos de mudanças. Peço tudo isto no Poderoso Nome de Jesus. Amém.5
1 Timothy Keller, Every Good Endeavor: Connecting Your Work to God’s Work (Dutton Books, 2012).
2 Kenneth S. Latourette, A History of the Expansion of Christianity (Harper, 1944), 1:230.
3 Dan Miller, “Bringing the Sacred into the Secular: A Call to All Vocations,” Forgodsfame.org, 19 de junho de 2025, https://www.forgodsfame.org/blog/2025/06/19/work-as-worship.
4 Ed Stetzer, “Amplifying Evangelism—Doing Evangelism in the Workplace,” Christianity Today, 29 de março de 2016.
5 Scott Burnett, “Prayer for the Workplace,” Outreach Canada, 19 de março de 2024, https://outreach.ca/Blog-Original/Blog-Detail/ArticleId/5392/Prayer-for-the-Workplace.
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